As dificuldades para dar assistência a esta nova vaga de deslocados que chegam via marítima são grandes, revela o bispo de Pemba. Luiz Fernando Lisboa fala numa crise humanitária profunda e apela à solidariedade e à ajuda humanitária.
Condições que chegam os deslocados a Pemba
Dom Luiz Fernando Lisboa (LFL): Os deslocados que têm chegado nesses últimos cinco dias chegam em situações muito difíceis. A a maioria deles chega desidratada, alguns vêm doentes, passando mal. Tivemos uma senhora que deu parto dentro do próprio barco [em que se fazia transportar]. Chegam numa situação difícil, assustados e também com poucos pertences. Aqueles que conseguem, que saíram preventivamente antes que chegassem os insurgentes, juntaram aquilo que tinham (fogão, roupas, capulanas) e trouxeram. Mas uma boa parte deles chega sem nada, porque saíram à pressa sem conseguir juntar os seus poucos pertences. Muita gente não tem documentos, chegam quase sem nada. Essa é a situação.
Toda a ajuda é válida, é importante dizer isso, há muita gente se solidarizando, há muito mais abertura. O povo de Cabo Delgado, em primeiro lugar, está de parabéns pela acolhida que tem dado, pela solidariedade. Ninguém está a olhar, mas todo o mundo está a repartir. E têm vindo de fora de Pemba, de fora da província e até de fora do país muitas ajudas, pequenas, mas que vão se somando a outras que vamos conseguindo e vamos dando resposta a essa situação. Então, aproveito para agradecer a todas as pessoas que têm se preocupado com a nossa situação.
Estamos verdadeiramente numa crise profunda humanitária e precisamos de solidariedade. Então, quero convidar as pessoas de boa vontade: juntem-se grupos de amigos, empresários, entrem em contacto connosco. Nós precisamos de apoio, precisamos de ajuda. É muita gente para ser atendida e que precisa de tudo, mas neste momento estamos a cuidar das necessidades mais básicas, que é alimentação e um lugar para ficar. E nem isso que é o essencial nós temos conseguido para todos. Então, precisamos ainda aprofundar a solidariedade e a ajuda humanitária para que possamos dar essa resposta. Muito obrigado, concluiu.
Fonte: DW

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